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Antes de indignar-se, é preciso pensar por Edgar Morin

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 Filósofo critica Putin, mas sugere compreender as razões da Rússia contra a OTAN e agir sem histeria. Fiel à ideia de complexidade, teme automatização totalitária, mas aposta: “sempre haverá falhas, por onde surgirão esperanças de salvar o mundo”   Aos quase 101 anos, Edgar Morin acaba de publicar um novo livro, Réveillons-nous (“Despertemos”, em tradução literal). Nesta entrevista, o filósofo e sociólogo convida a pensar e compreender as origens da guerra que aflige a Europa. Suas reflexões abrangem também as eleições presidenciais francesas e a vida quotidiana sob as sociedades de vigilância. Você em breve completará 101 anos. Que lembranças pessoais esta guerra traz de volta? Edgar Morin –  Obviamente penso no que aconteceu em 1939. A França e a Inglaterra declararam guerra à Alemanha após a invasão da Polônia. Mas foi para não irem à guerra. E nós fomos suas vítimas. Pelo menos a situação atual tem o mérito da franqueza. Não queremos ir para a guerra. Es...