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Crítica da ficção "Democracia em Vertigem" por Eduardo Escorel

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  Lula evita dizer o que pensa – aprendeu a arte de só dizer o que convém e a pratica com maestria. Esse é um recurso usual de políticos experientes, mas por vezes mesmo os mais calejados, como ele, deixam escapar palavras sinceras e convicções profundas. São dualidades e franquezas como essas que podem ser encontradas na entrevista do ex-presidente a Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, e Florestan Fernandes Jr., do jornal El País, em 26 de abril. A seguir, dois exemplos da retórica lulista: no primeiro, ele omite o que disse em outras ocasiões; no outro, revela algo até então desconhecido, ao menos para mim. Mônica Bergamo pergunta: “O senhor tem vergonha de ter eleito uma presidente que foi uma das mais mal avaliadas da história, perdendo apenas para Michel Temer?” Lula bate duas vezes no coração e diz ter orgulho, “muito orgulho da Dilma”. Ato contínuo, tergiversa e declara que nem todo filho consegue ter sucesso equivalente ao obtido pelo pai; menciona o caso do filho de Pelé ...